quarta-feira, 29 de agosto de 2012

as mudanças de planos.



     Não gosto de transformar este meu cantinho num antro de deprimências por isso nunca me viram aqui falar de crise. Mas hoje tenho de referi-la e acrescentar que é uma filha da puta (é isso mesmo, uso asneiras hoje) e que a odeio. Aliás, odeio todos os responsáveis por ela, sejam eles quem forem, estejam eles onde estiverem só lhes desejo muito mal. E não é porque tenho menos dinheiro na carteira no final do mês é porque graças a esta filha da puta o que era para ser a ordem natural das coisas está a desmoronar-se.
     O normal era acabarmos os cursos, termos um emprego lindo à nossa espera, continuar a acordar e ver o sol em Portugal, manter as festanças do fim-de-semana com os amigos de sempre. Depois suceder-se-iam os casamentos para quem quisesse, os filhos, as férias de casais etc. E por causa da puta da crise, vejo os meus amigos a mudar os planos, a ter de partir e sou obrigada a conviver com eles de longe. É reconfortante saber que mesmo a milhas de distancia falamos e vivemos as coisas uns dos outros, mas não é a mesma coisa que abraçar, rir em conjunto e sair por aí para ver no que dá. 
     A R. não partiu e já tenho saudades de sair para ver no que dá, a M. foi embora há meia de semanas e parece que nunca mais chega a altura de entrar no metro sair na estação do Aeroporto para lhe dar um abraço dos bons. Quero sempre o melhor para os meus amigos, mas ficar longe custa. As despedidas matam-me por dentro e a ausência congela.

     Love
     C. 

7 comentários:

  1. É uma desgraçada essa gaja, a crise. Odeio-a porque nos mata os sonhos. E não me venham dizer que os bons se safam sempre, porque quando os olhos tropeçam à séria na realidade percebemos que os "bons" se empilham nos armazéns da crise, desperdiçados e esquecidos nos meio das deliberações orçamentais. Perdoem-me a expressão, mas essa gaja é uma puta e fode-nos a vida à grande.

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  2. Rute, tão verdade o que acabaste de escrever <3

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  3. É triste como nos manipulam a vida. Como destroem sonhos, motivações e até valores (certamente melhores que os desses senhores, os filhos da puta que nos jogam com a crise à cabeça todos os dias).

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  4. Efectivamente ver os "amigos a mudar os planos, a ter de partir", "não é a mesma coisa que abraçar, rir em conjunto e sair por aí para ver no que dá".

    No entanto há alguns desses amigos que, com crise ou sem crise, teriam ido na mesma...
    Porque pensam:
    Que se lixe a ordem natural das coisas e as mudanças de planos podem trazer-nos motivação e fazer-nos sonhar novos sonhos e viver e crescer e recuperar valores que pensávamos que já não necessitaríamos.
    Não faz falta nenhuma crise para que as coisas sejam diferentes do que imaginamos ou desejamos. Mas faz sempre falta manter os sonhos vivos para que não nos deixemos morrer em prol de circunstâncias.

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  5. Tens razão :) mas custa sempre partir, custa ainda mais ver partir. E nem todos têm o sonhos de partir, muitos não o fazem de animo leve e partem por causa da conjuntura.

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  6. Partir quando terminar no meu curso é uma e talvez a primeira opção na minha mente. :/

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