terça-feira, 23 de junho de 2015

Um retrato em Paris.


      Ela sentia-se presa numa maldição. Era como se a sua cara não tivesse uma transposição física, era como se não tivesse alma.
Tinha quinze anos a primeira vez que visitou Paris numa viagem de família. Sentia-se entusiasmada por pôr em prática as frases que treinara em frente ao espelho com a ajuda de um CD. No terceiro dia na cidade a mãe sugeriu que visitassem o bairro de Montmartre. Depois de subirem até ao Sacré Coeur e terem bebido um chocolate quente foram até à Place du Tertres. Quando viu todos aqueles pintores ficou verdadeiramente impressionada e pensou: -“Eu tenho de ter um retrato meu para nunca mais me esquecer que alguém me pintou sobre o céu de Paris”. Não conseguia evitar esta visão romântica da cidade que sempre viu retratada nos filmes.
     Estava deslumbrada com aquela cidade e ao contrário do que seria de esperar queria ver tudo que fossem museus, igrejas, monumentos. Tinha decidido que a Disneyland Paris ficaria para o fim, no caso de terem ainda algum tempo livre. Naquele sítio sentia-se como se fizesse parte de todas as paredes que a rodeavam. Deu uma volta pela praça e olhou, atentamente, para todos os quadros de retratos expostos a fim de decidir qual seria o pincel que ia materializar as suas feições no papel.    Decidiu que preferia um retrato clássico pintado a preto e branco e em carvão. Comparou os desenhos com as fotografias dos modelos que apareciam expostas ao lado e depois de quarenta minutos percebeu que o senhor de boina cinzenta era o melhor de todos. Ele conseguira captar nos seus três quadros expostos a verdadeira expressão dos modelos e o seu traço era perfeito e suave. Se aquele pintor não fizesse um bom trabalho mais ninguém faria, pensou. Depois da decisão tomada, soltou uma frase no seu francês tímido: 
     - Bonjour, pourriez-vous déssiner mon portrait, s'il vous plait? Vous êtes libre maintenant?       
     O homem olhou-a por dois minutos e não disse nada. Pegou no lápis e carvão e disse: 
    - Asseyez-vous sur cette chaise, mademoiselle, et regardez-moi. Je vais commencer.     Ela assentiu com a cabeça e fez o que o homem lhe pediu. Durante duas horas quase não se mexeu e teve o maior cuidado para respirar o menos profundamente possível. Estava tão ansiosa pelo resultado que durante aquele tempo não conseguiu pensar em mais nada. De vez em quando percebia algum desconforto no pintor, mas achou que pudesse ser apenas por causa do sol que batia forte. Quando o homem terminou conseguiu ver na sua expressão um verdadeiro desalento. Levantou-se, pousou o lápis no cavalete e disse em francês:
      -Pinto desde os dez anos e faço retratos aqui há mais de quinze. Nunca tinha visto uma coisa assim. Peço que me desculpe, mas não a consigo desenhar. Vejo-a e compreendo os seus traços, mas a sua face é impossível de materializar em papel. Não consigo explicar este fenómeno e provavelmente achará que sou louco, talvez seja. Procure outra pessoa que consiga fazê-lo. O que desenhei está aqui e não lhe cobrarei nada.
      Ela ficou sem saber o que dizer e não estava a perceber bem o que o homem lhe queria dizer. Quando pegou no papel ficou estática. Não se reconhecia naquele desenho nem fazia ideia de quem poderia ser aquela pessoa. O pintor desvirtuou a sua expressão completamente. Ainda conseguia ver qualquer coisa de si, mas não sabia explicar o quê. Seria o formato dos olhos? Talvez as maçãs do rosto. Não conseguia perceber o que daquela imagem lhe pertencia, mas era muito pouco.
      A mãe encorajou-a a procurar outro pintor mas ela negou-se a visitar aquele espaço de novo e desistiu da ideia de ter um retrato pintado em Paris.
     Durante os anos seguintes visitou Roma, Veneza, Londres, Atenas e mais umas quantas cidades europeias. Em todas elas pediu uma retrato e em todas elas se passou exatamente o mesmo. Ninguém a conseguiu desenhar e ninguém conseguia explicar aquele estranho fenómeno. Os desenhos finais eram perfeitos e muito bem trabalhados, mas ela nunca se conseguia ver naqueles traços de carvão. Era como se a sua expressão não tivesse alma nem significado.
Aos vinte e nove anos, prestes a completar os trinta voltou a Paris para o casamento de uma amiga. Não sabia muito bem o que esperar daquela viagem. Tinham passado quase quinze anos desde a última visita e durante todo esse tempo a “maldição” do retrato não lhe saía da cabeça.
O casamento seria numa quinta na periferia da cidade e antes de voltar a Portugal teria três dias para visitar alguns locais de Paris. Os convidados eram na sua maioria franceses e por isso não conhecia quase ninguém, o que não a impediu de se divertir bastante. Estes quinze anos deram-lhe a vantagem de ter tido tempo para aperfeiçoar a língua francesa e por isso conseguiu manter conversas casuais mas estruturadas com quase todos os convidados da mesa. Sabia de antemão que calharia na mesa dos solteiros e isso animava-a já que o fim de uma longa relação a tinha deixado com marcas duras e sentia que precisava de conhecer pessoas novas.
     Não havia, propriamente, ninguém na mesa que tivesse captado a sua especial atenção apesar de serem todos homens bastante atraentes e da sua faixa etária. Aquela relação tinha-a massacrado tanto que senti-a que perdera o jeito para se apaixonar de novo.
     Já era tarde quando cortaram o bolo, mas a festa continuava tão animada que mal sentia os pés de tanto dançar. Quando finalmente se sentou na mesa com a sua fatia de bolo reparou que o guardanapo do seu lado esquerdo tinha sido desenhado por alguém. Pensou se poderia ter sido mesmo o Jean.
      Jean era o rapaz que tinha estado sentado ao seu lado durante todo o jantar. Pegou no guardanapo e aí viu o desenho com melhor nitidez. Não conseguia acreditar no que estava a ver. Era o seu retrato feito com uma caneta bic. Era ela sem tirar nem pôr, com o cabelo apanhado e os seus brincos de pérola. Quinze anos depois alguém tinha conseguido fazer o seu retrato e estava em Paris.
      Não conseguiu disfarçar a emoção infantil por se ver finalmente desenhada num papel e mastigou o bolo sem sequer lhe sentir o gosto tal era a excitação. Jean voltou à mesa com o seu pedaço de bolo. Não queria ser evasiva, mas tinha que lhe perguntar:
      - Foste tu que desenhaste isto? – Perguntou directamente.
      -Sim, porquê? Quer dizer, espero que não te importes. Como não sei dançar tinha que me entreter com qualquer coisa. Depois das dedicatórias, aproveitei a caneta e comecei a desenhar. 
     Ela sorriu e depois riu muito. Soltou umas quantas gargalhadas seguidas. Não sabia bem se de alívio se de felicidade. Ele continuava sem entender nada, mas também não perguntou. Limitou-se a acompanhá-la naquilo que parecia uma parvoíce. Riu muito alto com ela, não sabia se do álcool se por solidariedade. Ela levantou-se, arrastou-o para a pista e dançaram ao som de um música que nenhum dos dois conhecia.
      Ele afinal sabia dançar e ela tinha uma alma e um retrato desenhado em Paris. 

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      C.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

"Para tornar o teu dia mais feliz"


     - Não percebo como consegues trincar o gelo! É arrepiante. - disse Ema depois de ter cruzado a perna e finalmente se sentir confortável naquela cadeira de madeira.
     Marta não respondeu e continuou a fazer aquele barulhinho de gelo a partir. Apenas pensou, "Não percebo como consegues ter uma opinião formada sobre tudo nesta vida e não sabes tratar da tua". Eram amigas desde o liceu e já tinham passado por muito juntas, mas as vezes que haviam chorado juntas de emoção e de tristeza eram equivalentes às vezes que tinham discutido em voz muito alta e com bater de portas com força no final.
     - Pequenos prazeres, Ema. Nem tentes entender. - Maria respondeu por ela. Era a mais sensata das três e a única a quem davam crédito em quase todos os assuntos mesmo tendo sido a última a fazer parte desta aliança. 
     As três mulheres sentadas naquela mesa tinham-se tornado inseparáveis desde o primeiro dia do ano do curso de direito. Tão diferentes que conseguiam na perfeição completar um puzzle como mais nenhum grupo naquela turma.
     Maria estava prestes a dar à luz e isso fazia dela uma bomba relógio naquela mesa de esplanada. Quando esse momento chegasse, ela sabia que finalmente estaria a realizar o sonho de toda a sua vida. As duas amigas tinham-lhe dito que estava a dar um passo maior que as pernas e que uma criança nesta altura iria pôr em causa toda a carreira promissora que tinha pela frente. Encarava isto como uma preocupação verdadeira por parte das duas, mas nem assim se intimidou. Ema e Marta sabiam que ela era a mais feliz das três. E isso era um facto assumido pelas duas em várias conversas. Não se tratava de inveja maldosa, mas apenas de uma inveja boa de quem ansiava também poder um dia atingir tal estado de plenitude mental e sentimental. Um marido perfeito e preocupado além de ser charmoso e gentil para toda a gente, um emprego estável e em ascenção: ela era a menina perfeita do grupo. Perceberam isso desde o dia em que ela fez aquela intervenção assertiva na aula de direito constitucional e todos na sala ficaram impressionados.
      Ema era a mais problemática do trio. Inconstante e um pouco louca, podia dizer-se. Ela mesma admitia que a sua personalidade era como uma javali à deriva numa aldeia, podia fazer estragos incalculáveis. Ora parecia feliz e com tudo planeado na sua vida, ora se fechava no seu casúlo e ficava semanas sem dizer nada às amigas. Já estavam habituadas, mas no fundo este comportamento deixava-as apreensivas. Tudo isto podia levar a querer que fosse bipolar, mas não era: era só uma pessoa que nunca estava bem mesmo que tudo à sua volta parecesse espectacular ao olhar dos outros. Era assim desde pequena e nada parecia conseguir mudá-la. Traumas de infância não tinha, desilusões amorosas as normais e por isso ninguém conseguia perceber muito bem este feitio peculiar. Já Marta parecia feliz na sua vida emocional e no seu recente emprego. 
     Naquela tarde o encontro tinha sido um pretexto para se despedirem de Maria antes dela ter de ir a "correr" para a maternidade. A bebé Joana estava prevista para os três dias a seguir. Despediram-se já um pouco emocionadas e seguiram para os seus destinos. 
      No dia a seguir Maria começou a sentir as primeiras contrações. Uma contração forte que durou cerca de 60 segundos deixou-a nervosa. Repetiu-se 20 minutos depois. No outro lado da cidade, Marta estava a sair do trabalho cheia de pastas e sacos de compras que tinha feito à hora de almoço. Meteu-se no carro e conduziu até casa ao som de "Glory Box". Maria começou a sentir contrações com menos tempo de intervalo. Uma contração muito intensa levou-a a ligar ao marido. Quinze minutos depois outra contração. O marido, já a caminho de casa, tentava acalmá-la. Trânsito em hora de ponta. Mais uma contração. Maria desistiu de contar os minutos e só queria chegar ao hospital. Também Marta queria chegar a casa e descalçar aqueles sapatos de dez centímetros. Algum tempo depois e sempre com aquela música em repeat lá conseguiu estacionar o carro. Desligou o motor, carregou os sacos e entrou no prédio e depois no elevador. Já em casa, pousou as compras, lavou as mãos e meteu uma máquina de roupa branca a lavar.
     Finalmente o marido de Maria tinha enfiado a chave na fechadura e este som foi suficiente para tranquilizá-la. Beijou-a na testa e segurou-a para que se amparasse nele. Sairam com um saco pela mão a caminho do hospital. Quinze minutos depois estavam a entrar na maternidade. Marta já tinha descalçado os sapatos e despido a roupa formal que usou no julgamento que tinha feito durante a manhã. Sentou-se na mesa da cozinha e abriu uma garrafa de vinho tinto. Ligou a aparelhagem com aquela música de novo. E deixou-se afundar naquela cadeira de veludo. Dez minutos depois foi até ao WC e abriu a caixa de primeiros socorros. De lá retirou todos os comprimidos que estavam guardados num boião com um autocolante onde se podia ler: "Para tornar o teu dia mais feliz." Naquele frasco tinham estado, anteriormente, rebuçados oferecidos por alguém. Agora estavam, nas mesmas cores, dezenas de comprimidos. Engoliu tudo sem hesitar e empurrou com um gole longo de vinho. Ficou ali a afundar-se cada vez na cadeira de veludo até que caiu dura no chão. A precisamente nove km de distância daquela casa estava Maria. Acabara de ouvir pela primeira vez o choro do seu bebé e definitivamente aquele era o momento mais feliz da sua vida.
     Na casa de Marta ouvia-se a máquina de roupa a centrifugar e aquela música continuava a tocar.
    

quarta-feira, 22 de abril de 2015

ritual.

 
     
     Ela apagava o cigarro, lavava os dentes e esperava. Depois de meia hora, ele continuava sem aparecer. Ela acendia um cigarro, fumava e lavava os dentes. Lia um livro e bebia água. Nem sinal dele. Ela acendia um cigarro, fumava e lavava os dentes. Olhava para o tecto e fazia zapping na TV. Uma hora depois a campainha continuava sem tocar. Ela acendia um cigarro, fumava e lavava os dentes. O ritual repetia-se, no geral, umas 5 vezes. Era assim todas as quartas-feiras. Ele demorava, mas nunca falhava ao encontro. 
     Pousava o casaco e a mala do portátil em cima do cadeirão e só depois a cumprimentava. O cumprimento era sempre o mesmo, afagava-lhe os cabelos e deslizada a mão pelo ombro até ao cotovelo. Falavam sobre meia dúzia de banalidades, mas nada de muito profundo e comprometedor. Ambos sabiam que era assim que funcionava: um dia por semana, 4 vezes por mês, sem grandes conversações e sem grandes intimidades além das físicas. Sem cobranças, sem telefonemas fora de horas, sem compromissos sociais e sem obrigações. 
      Normalmente faziam uma refeição leve que ela preparava em menos de 30 minutos e bebiam um vinho que ele trazia, sempre tinto e sempre diferente. Depois disto deixavam-se estar no sofá em silêncio por um bom bocado enquanto a música continua a tocar baixinho. Era como se fosse uma preparação para o que se ia passar a seguir. Era ele quem tomava a iniciativa dirigindo-se para o quarto, ela ia atrás devagar como se abrandar o passo fosse transmitir-lhe que aquilo não passava apenas de uma sessão de sexo. Na verdade, ela sentia muito mais do que isso. Ela sonhava com o dia em que ele ia entrar naquela casa e diria que ia começar a encontrar-se com ela mais vezes porque simplesmente lhe fazia falta dividir o mesmo espaço, o mesmo oxigénio e o mesmo suor por mais tempo. Era esta a sua visão romântica e utópica da coisa. O seu lado racional dizia-lhe: "Homens como estes não se prendem. Não querem construir nada a não ser uma conta no banco e uma casa de férias". E era verdade. Ele era assim. Sem tirar nem pôr. Ele até podia apresentá-la à família e aos amigos, mas isso não ia tornar o caso mais sério. Nem sequer sabia se queria filhos quanto mais pensar em escolher uma mãe para eles e alguém com quem dividir o resto dos cereais, contas ou problemas e dores de cabeça.
     Aumentar a frequência dos encontros era deixar naquela mulher uma esperança ainda maior do que aquela que ela já escondia nos seus pensamentos. Ele não queria ter de chegar ao ponto de ter de lhe dizer: "Acabou". Isso daria muito trabalho. Ele preferia manter a distância a ter de um dia tomar uma atitude mais drástica. Parecia mais fácil e ela não dava mostras de ser problemática.
      E assim, como sempre, ele saía de fininho depois dela ter adormecido para não ter de se despedir. Sempre odiara as despedidas e tinha medo do que ela poderia dizer nesse momento de fragilidade.



quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

"cartas de amor"




     Esta carta vai ser a mais romântica que recebeste até hoje e, sinceramente, arrisco-me a dizer que será a última de toda a tua vida. Já não se escrevem cartas e amor, porque se escreveriam cartas de despedida? Porque uma despedida por escrito não tem resposta, essa resposta que não se quer ouvir ou uma resposta que talvez nem exista. É sempre mais fácil falar sozinho ou ficar a imaginar qual seria a resposta. 


     Não te posso ver, não te quero ver mais. Quero deixar de imaginar a tua expressão quanto fazes esse ar de desdém que tanto me irrita. Quero esquecer que um dia dei tudo que tinha e que achei que jamais poderia ter. Tens o melhor sorriso para todos e para mim guardas o pior de ti. Eu acho que o fazes porque estou mais próximo e porque confias em mim. Na verdade só é assim porque achas que não há consequências, porque pensas que vou estar sempre aqui. Mas eu vou-me embora! Já te disse, vou livrar-te deste fardo, desta dor que te consome cada vez que digo algo que vai contra o que tu achas certo e racional. E quando olhares para as minhas fotografias vais sentir alívio e vais poder voltar a ser como quando te conheci: a miúda perfeita que todos queriam dentro de casa ou de roupão a preparar o pequeno-almoço para o resto da sua vida. Já reparaste que nem o teu tom de voz é igual a ti mesma quando me falas? És cruel e o teu timbre quando me falas é o que realmente és, aquilo que só eu vejo e oiço no silêncio de quatro paredes. Lá fora és e queres parecer tudo de bom. Cabelo impecavelmente tratado, rosto sem qualquer sinal de acne a roupa certa para a ocasião e na ponta da língua, o que todos esperam ouvir. 


     Isto não é uma ameaça a pensar que vais acordar e perceber o quão cabra tens sido comigo. Eu sei que tu não sabes voltar atrás, mudar por um bem maior ou pedir desculpa por isso já não espero nada de ti. Isto é uma forma de sair de fininho e não sentir o teu silêncio mais uma vez. 


     Gostava de fazer-te passar por tudo isto. Para isso tinha de ficar mais um pouco e ser sádico. Não sou e sei que jamais te atingiria da mesma maneira, além disso a foda seria em dobro. E isto tudo já me fodeu durante muito tempo.

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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

saltar sem olhar!


     Quando decidirmos fazer uma coisa é melhor que a façamos logo, sem pensar muito nisso. Quanto mais pensarmos, mais coisas vamos encontrar que nos levem a desistir. Vamos acabar por ver obstáculos em tudo quando deviamos era ver oportunidades. Irritam-me aquelas pessoas que se queixam, que não estão felizes mas não fazem nada. Ficam a ver o tempo passar metidas no seu próprio buraco que cada vez vai ficando mais fundo. A vida é uma merda mesmo: temos expectativas, temos imprevistos, temos perdas, temos fins, temos problemas. A merda fica maior se a escondermos debaixo do tapete e começa a cheirar cada vez pior. É preciso mudar para ter resultados diferentes, é preciso fazer mais mesmo que seja com menos. 

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     C.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

agendas especiais.


     Eu, fã de agendas, me confesso! E desta vez não é uma agenda qualquer, é a minha agenda! A agenda da Matias. Tudo escolhido por mim inclusive este titulo um tanto ou quanto egocêntrico. Estou ansiosa por começar a escrever de prefêrencia com eventos extremamente interessantes e novos, afinal de contas é isso que se espera de um ano novinho em folha.
     Se forem tão fãs de agendas giras como eu fiquei desta também podem encomendar a vossa em: Stuff. Gosto de partilhar coisas boas convosco!

     Love
     C. 
 

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

O equilíbrio está nas coisas simples.


     Ontem fiz uma coisa que não fazia há quase 15 anos. Andei de bicicleta. Já tinha pensado em fazê-lo há mais tempo, mas invadia-me um medo bizarro como se tivesse dado uma grande queda em tempos e tivesse guardado trauma disso. Não era trauma, era só medo de não ter equilíbrio. Medo de falhar nos pedais, medo de não concretizar o movimento com segurança. Parece que estamos a falar de algo profundo e difícil e no entanto estamos simplesmente a falar de um bicicleta. No meu íntimo, realmente achei que o meu corpo se tinha esquecido de como era, ignorei a frase feita "é como andar de bicicleta, nunca te esquecerás" e agarrei os punhos com toda a minha força. Assegurei-me que a qualquer momento os meus pés conseguirião chegar ao chão com facilidade e depois deixei-me levar.    
     Que seja cliché! Mas que sensação boa esta de descobrir que algo que não faziamos há anos é de facto maravilhoso. Esta sensação de que realmente as coisas simples são as melhores. Sendo cliché ou não, não existem muitas coisas melhores que ler um bom livro, apanhar sol e dar um mergulho no mar, comer um boa refeição e beber um bom vinho, andar de bicicleta ou fazer conchinha antes de dormir.

     P.S - Depois deste texto, por favor só não me confundam com o Pedro Chagas Freitas.

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     C.