segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

O equilíbrio está nas coisas simples.


     Ontem fiz uma coisa que não fazia há quase 15 anos. Andei de bicicleta. Já tinha pensado em fazê-lo há mais tempo, mas invadia-me um medo bizarro como se tivesse dado uma grande queda em tempos e tivesse guardado trauma disso. Não era trauma, era só medo de não ter equilíbrio. Medo de falhar nos pedais, medo de não concretizar o movimento com segurança. Parece que estamos a falar de algo profundo e difícil e no entanto estamos simplesmente a falar de um bicicleta. No meu íntimo, realmente achei que o meu corpo se tinha esquecido de como era, ignorei a frase feita "é como andar de bicicleta, nunca te esquecerás" e agarrei os punhos com toda a minha força. Assegurei-me que a qualquer momento os meus pés conseguirião chegar ao chão com facilidade e depois deixei-me levar.    
     Que seja cliché! Mas que sensação boa esta de descobrir que algo que não faziamos há anos é de facto maravilhoso. Esta sensação de que realmente as coisas simples são as melhores. Sendo cliché ou não, não existem muitas coisas melhores que ler um bom livro, apanhar sol e dar um mergulho no mar, comer um boa refeição e beber um bom vinho, andar de bicicleta ou fazer conchinha antes de dormir.

     P.S - Depois deste texto, por favor só não me confundam com o Pedro Chagas Freitas.

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     C.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

pensamentos da madrugada.


      Hoje acordei às 6 da manhã e não consegui adormecer mais até o despertador tocar. Esta sensação de impotência em não conseguir adormecer é talvez a mais dura de todas e a mais dificil de resolver. Dura porque nos faz pensar no que evitamos durante o dia e difícil porque tem o efeito inverso, quanto mais tentamos adormecer mais difícil se torna essa tarefa e é sempre uma corrida contra o tempo.
    Nessas duas horas pensei em várias coisas mas só quero materializar uma conclusão que me assusta bastante: A diferença entre perder tempo e "passar" o tempo é muito ténue. Em nenhuma delas se ganha grande coisa, bem pelo contrário.

     Love
     C.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

a vida resumida num perfume.


     Eu podia resumir a minha vida a um frasco de perfume. Aliás, qualquer vida bem que podia ser resumida a uma frasco de perfume. Metaforicamente falando, claro. Porque isto da vida humana é muito mais que um quimíco perfumado e é preciso não fazer confusões.
     Um frasco de perfume não é mais do que uma escolha. Como na própria vida: implica ponderação e certezas quase absolutas. Não se escolhe um perfume como uma cacho de bananas no supermercado. E esta metáfora serve para tantas situações desta vida. Até porque não se gasta um frasco de perfume no mesmo tempo em que comem meia dúzia de bananas.
     Se gostarmos mesmo desse frasco de perfume vamos querer usá-lo sempre, sem pausas, sem dúvidas, sem dias mais ou menos. Vamos usá-lo e caminhar de cabeça levantada e coração aberto. Às vezes esse frasco é o errado e aí não há mesmo nada a fazer.
     É raro, mas às vezes ainda pode aparecer um que queiramos usar para sempre.

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     C.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

um texto para 2015




     Volto uns largos meses depois para vos dizer que não é um fogo de artifício com uma dúzia de passas e a esperança de um ano melhor que vão mudar as coisas. 
     As coisas são o que são porque as pessoas são o que são. As coisas não mudam enquanto as pessoas não quiserem mudar. É preciso fazer alguma coisa ou às vezes é preciso deixar de fazer um montão de coisas. Caminhar em frente é difícil mas, às vezes, virar as costas é ainda mais duro e requer mais coragem!

     Dizer que é um ano novo e que tudo vai ser diferente não basta! As promessas não bastam mas se elas não existirem não há nada que resista. As pessoas precisam disso, precisam de alguém que lhes diga que tudo vai correr bem, de alguém que se "responsabilize"e fique ali de "fiador"! Fora isso, está tudo dentro de nós, se estiver! Se não estiver, também não vale a pena!

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     C.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Irmãos


Dizem-me sempre que não há amor como o que se sente por um filho, eu acredito. Nunca pari, mas tenho uma irmã e deve ser muito parecido a esse amor incondicional de que se fala ao evocar o nascimento de um filho. Bem sei que há irmãos e irmãos, há relações e relações mas há laços inquebráveis. Os pais não nos ensinam a amar os irmãos da mesma forma que nos ensinam a apertar os atacadores ou a escovar os dentes. Não há teoria para o amor, há a prática, há o coração aberto, há o sentimento de que éramos capazes de tirar da nossa boca para dar ao nosso irmão. Os irmãos não julgam, não criticam para magoar, não falam de nós nas costas nem destratam quem amamos mesmo que achem que merecemos melhor. Os irmãos sabem sempre as nossas falhas, os nossos medos sem precisarmos de falar disso tudo ou de nos tocar na ferida de forma áspera e dura. Os irmãos estão connosco na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza. Se “baterem” ao nosso irmão doí-nos a nós, diria até que dói ainda mais e de forma mais violenta. Se alguém lhes levantar a mão lá estaremos nós prontos a segurá-la antes de ela ouse pousar e magoar. E se não chegarmos a tempo vamos lá depois pedir satisfações e tomar as dores como se fossem nossas. São, na verdade. Os irmãos gostam de nós como somos, com aquele roupa mais bonita ou o traje de andar por casa. Os irmãos até podem dizer “Não” mas voltarão sempre com a palavra atrás e os braços abertos. Os irmãos discutem, agridem-se mas arrependem-se mesmo que demorem a reconsiderar. Para ser irmão não existem licenciaturas, mas se existissem também haveria muita gente a não ter média para entrar. Às vezes, os irmãos sabem o que nem nós sabemos. Mas eles não dizem, deixam-nos ir lá bater com a cabeça ou ser ainda mais felizes com as nossas decisões. Eles permanecem lá connosco mesmo que seja em silêncio à espera que precisemos deles e nunca vão dizer-nos: “Eu avisei-te” mesmo que o pensem. A sua missão não é a de consciência, a sua missão é a de amor, só. Eles não sabem sempre o que é melhor para nós, mas sabem que independentemente disso estarão sempre lá a amparar as quedas ou a brindar as vitórias. Não há irmãos perfeitos, mas há irmãos eternos.

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C.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Todos queremos um lugar ao sol



     Este ano tivemos um Inverno rigoroso. Pelo menos aqui na capital foi um bocado atípico em relação a anos anteriores. Poucos dias de sol, muita chuva e frio de não se largar um casaco quentinho e umas luvas de salvação. É verdade, esta é a minha primeira crónica sobre o tempo, esse assunto que tantas vezes nos ajudou em momentos constrangedores sobretudo em viagens de elevador. Os primeiros raios de sol da suposta Primavera enganaram-nos e iludiram-nos. Deram-nos esperança de que era altura de arrumar os guarda-fatos, guardar cobertores e galochas e soltar os óculos de sol e as camisolas leves. Puseram-nos a correr para as esplanadas à procura do melhor ângulo para deixa vir a nós o grande sol. E muitas vezes quase que deve ter havido uma guerra entre quem ficaria com as mesas ao sol. Na verdade é por ele que lutamos todos os dias, todos queremos o verdadeiro lugar ao sol. Esse lugar pode ser numa qualquer esplanada da cidade ou numa carreira de sucesso.
     Encontrar um lugar ao sol é fácil, provavelmente iremos tropeçar nele sem sequer nos apercebermos. O difícil será alcança-lo e mantê-lo debaixo dos nossos pés. Pelo meio vamos encontrar muitas sombras, raios e coriscos e muita chuva a estragar-nos o cabelo alisado pela manhã depois do banho.
E mesmo sabendo que o lugar ao sol é difícil de conseguir e é preciso correr por ele continuamos todos a querer o melhor lugar num concerto ou peça de teatro, o melhor par de sapatos para combinar com aquele vestido, o melhor estacionamento e mais perto do sitio onde vamos, o melhor peixe da bancada da peixaria, o bolo mais apetitoso da montra. Está na nossa natureza e na educação que nos deram. Fomos educados a procurar o melhor e a dar o melhor de nós aos que mais gostamos. Esta segunda parte é mais altruísmo do que outra coisa e quase sempre envolve um conflito entre o que queremos para nós e o que estamos dispostos a dar de nós aos outros.
     Na verdade encontrar um lugar ao sol é um bocado a sensação da Primavera nos estar a entrar pela janela do quarto e ao menos sabemos que mesmo que esse lugar só dure uma estação, ela vai repetir-se todos os anos. A meteorologia está mais ligada à nossa vida do que podemos pensar.

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     C.

terça-feira, 4 de março de 2014

um anti-stress com a forma errada.


     A minha mãe diz-me muitas vezes "Não estás bem com a roupa que tens". E não estou mesmo. Quase nunca estou bem com a roupa que tenho. Acho que por um lado é bom. Sinal que procuro sempre mais e melhor (e para quem ainda não percebeu, não estamos mesmo a falar de roupa), sinal que só me contento com o melhor. Por outro lado, será que me contento mesmo? Surge sempre aquela sensação de incumprimento e de trabalho deixado a meio. Odeio trabalhos deixados a meio, mas a sensação do final e da perfeição também me irritam. Mesmo quando me acho uma pessoa perfeccionista. Serei bipolar? Ou serei só "expectativo-depende"? Se pensar bem até posso ser "exigenteódriaca"? 

     Love
     C.