terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

relações intensas.


     Quando estou feliz apetece-me comer, quando estou aborrecida apetece-me comer e quando estou triste vou comer para tentar esquecer. Esta minha relação com a comida é intensa. Não consigo pensar em muitos bons momentos que não envolvam comida. Não consigo imaginar uma mesa vazia sem nada para petiscar ou o meu frigorífico despido e abandonado. Penso em comida para comer, penso em comida para fazer. Se me deito já estou a pensar no que vou comer no dia seguinte. Se me levanto já estou a pensar no jantar. A leveza que sinto a ouvir bossa-nova e a cozinhar é comparável à sensação de estar numa praia sem ninguém e sentir o vento na cara enquanto oiço o barulho do mar. 
     Não lhe chamaria terapia. Mas via-me a fazer isto de cozinhar e a comer logo depois a vida toda. Essa magia vai além do resultado físico, esta magia está na cara das pessoas que vão comer e fazer desse prato um integrante fundamental daquele momento de prazer. O melhor de cozinhar está aí mesmo, na magia de fazer as pessoas felizes. Mesmo que, por vezes, essa felicidade seja egoísta e que apenas se oiça um garfo e esse garfo seja o nosso.

     Love
     C.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

janela de alma.


     A vida era tão mais fácil se fosse Verão o ano inteiro. Colocar Verão e Inverno numa balança é saber que uma vai pesar consideravelmente mais. No Inverno há Natal, chocolates quentinhos, meias de lãs, roupa aconchegante, calor cá dentro e muito frio lá fora. Mas tudo isto chega durante meia dúzia de dias. Depois disso o frio e a chuva começam a deprimir a alma e e tudo que queremos ver é a bonança. A bonança não é nada mais nada menos que: O Verão. 
     Nesta estação consigo fazer um campo lexical enorme, nesta estação a alma é mais feliz e leve. As pessoas ficam mais bonitas e tudo parece menos grave. Há sol e calor, há finais de tarde em esplanadas solarengas. Há pôr-do-sol sem correria, há dias de praia sem fim, gelados em cada esquina, bolas de berlim, corpos dourados do sol, cabelos molhados e esvoaçantes. Há menos roupa para arrumar e pôr na mala. No Verão há comes e bebes para desfrutar com amigos ao ar livre, há acordares mais fáceis, há bebidas frescas que refrescam o corpo e o dia. No Verão pode ser dia ou noite que tudo parece encaixar no seu devido lugar. No Verão não são precisos pretextos e as coisas acontecem naturalmente. No Verão há peixe assado com sangria gelada e sabem ainda melhor que no Inverno. No Verão há festas em cada esquina e mais difícil é decidir a qual se vai. No Verão, a playlist é melhor ou então faz o ouvido mais feliz. 

     Love
     C. 

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

semanas que parecem meses.


     Às vezes sinto-me a negligenciar este espaço e isso deixa-me com um aperto no coração. As pessoas apegam-se, criam laços mesmo que seja com coisas materiais com bastante teor emocional. Tenho pena da minha vida não ser mais emocionante ou de nem sempre me lembrar que preciso de uma fotografia se quero contar a história aqui. Comprometi-me desde o início e nisso não vou falhar. Depois a falta de tempo, a correria para fazer máquinas de roupa, preparar o jantar e o almoço, o banho, o gato, a lista de supermercado em semanas destas que parecem meses. É segunda-feira  e já trabalhei o equivalente a dois dias, chego a quarta parece que já é quinta, respiro e continuo a corrida até sexta-feira. Grande parte do meu dia é aqui, grande parte do vosso também será por aí. Às vezes penso nisso. Parece tanto tempo a trabalhar e outro tanto a dormir e, na verdade, estas duas coisas às vezes parecem um verdadeiro desperdício de tempo. 

     Love
     C.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

O amor não se referenda


     Não se referenda o amor. Nem a igualdade devia ir a votos numa democracia. E muito menos um país com tantos problemas devia perder tempo e dinheiro a referendar um direito de igualdade.
     Em vez de caminharmos na evolução continuamos atados ao conservadorismo e preconceitos de que dois seres do mesmo sexo jamais terão as condições de “normalidade” ou farão parte do conceito família do tempo do Salazar. Pois, é verdade que não terão e ainda bem. Mas isso não os impede de ter o amor que essas crianças precisam para viverem felizes. Duas mães, dois pais serão sempre melhor opção que um apenas ou nenhum. Quem do alto da sua sabedoria, conservadorismo e até alguma infantilidade acha que tem o poder de pôr na mesa o futuro destas pessoas certamente não saberá o que é ser órfão e saltar de casa de acolhimento em casa de acolhimento.
     Se tudo isto é em prol das crianças, como se diz, deve antes pensar-se em que adultos se transformarão estas crianças após viverem de um lado para o outro, sem amor, sem educação, sem uma história de vida estável e um lar ao qual possam chamar: Casa.
     Se não nos perguntaram se queríamos entrar na UE, ter uma nova moeda ou ter a Troika à perna não nos podem pedir para votar e decidir o futuro destas famílias. Se algum discernimento ainda existir a lei será aprovada sem termos que usar um domingo para referendar o amor. E a verdade é que um referendo assim me assusta profundamente. Se a classe que se diz evoluída e toma as decisões por nós é contra ou está a tentar atrasar este processo será que a restante sociedade irá pôr de lado os preconceitos e votar SIM?!
     Estamos juntamente com a Rússia, Roménia e a Ucrânia a violar a Convenção Europeia de Direitos Humanos. É isto que se espera de um país civilizado onde pelos vistos afinal só reina uma espécie democracia?
     Estou há meia hora a pensar nisso e só consigo dizer-vos que amor é preciso agir em vez de falar ou escrever e não há lei que diga o que podemos ou não sentir.

     Love
     C.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Encaixa comigo!


     Ainda faltam uns dias para o Natal e eu já ando a receber prendinhas. Finalmente uma lancheira à minha medida. Um pouco de cor para o almoço, com Beats para separar o principal dos acompanhamentos e da fruta e saladas e ainda traz uns talheres e o beat para molhos. O mais fantástico da Keat é que pode ir ao micro-ondas, à máquina de lavar ao loiça, ao frigorífico e congelador e ainda tem um bolsa térmica para transportar tudo em segurança nos dias de maior calor. A caixinha onde se colocam os beats faz lembrar aquelas lancheiras que usávamos na escola primária, mas na verdade foi inspirada nas bento box japonesas . E todas os beats fecham tão bem que posso correr e dançar que nenhum molho se irá espalhar na mala. 
     Estou a adorar e aconselho a todos os fãs de marmitar :)

     Love
     C.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Sobre ser Português



     Um pouco atrasado talvez, mas...

     A vitória de Portugal contra a Suécia não vai acabar com a crise, mas todos ou quase todos concordamos que foi uma lufada de ar fresco. Mesmo que grande parte de nós tenha começado a partida com um sentimento de descrença era inevitável que o nosso coração não se vergasse às primeiras notas de “A portuguesa!”.
     Hoje parece que vos escrevo sobre futebol, mas não. É muito mais do que isso. Escrevo-vos sobre este sentimento de patriotismo que nos invade sempre que alguém fala mal do que é nosso. Seja quando Blatter achincalha o Melhor do Mundo ou quando um jornalistazinho inglês descreve a cidade do Porto como a "Detroit da Europa" ou a "mini-Havana".
     Esse sentimento de protecção e paixão quase que cega, assalta-nos sempre que alguém ousa menosprezar o nosso valor enquanto nação. E sim, estamos em crise, o nosso salário mínimo nacional é uma anedota, somos governados por corruptos e estamos rodeados de  “lobbies” e interesses individuais. Mas isto não é o que nos define enquanto povo. Somos mais que isso e esse sentimento de orgulho pelo que é nosso e é bom, esse, ninguém nos pode tirar.
     Sempre que somos distinguidos lá fora, seja pelo turismo, seja pela gastronomia, seja pelo desporto parece que o peito se nos incha. Corremos a partilhar nos nossos murais do “Facebook” o quão bem cotados estamos lá fora nessas áreas. Mas antes disso já tínhamos olhado para as praias, as encostas, os monumentos. Antes disso já tínhamos saboreado os bolos e os petiscos, já tínhamos sorvido goles de vinho com medalha e já tínhamos pensado para com os nossos botões: Se isto não é bom então mostrem-me o que é!
     Foi preciso termos chegado à sarjeta financeira e figurar no final das listas de crescimento económico, poder de compra ou satisfação para percebermos que o temos cá é bom. De repente o que antes não nos dizia grande coisa é hoje motivo de orgulho. E na verdade há coisas que o dinheiro não compra, só eleva.
     Há coisas que nenhuma “troika” nos pode tirar, a emoção de se ter no cartão do cidadão inscrito: nacionalidade portuguesa, o arrepio nos  pêlos dos braços que sentimos cada vez que um atleta nosso sobre ao pódio e se ouve o hino nacional, a nostalgia e paixão provocadas pelos acordes de uma guitarra portuguesa, o sentimento de conforto sempre que estamos fora da nossa fronteira e nos deparamos com outro de nós. Às vezes pensamos que mais valia não ter nascido aqui só por termos de estar a passar por tudo isto. Mas mesmo que façamos a mala para alcançar outros sonhos, o que nos faz vibrar  por sermos portugueses acontece aqui ou em qualquer outra parte do mundo. 

     Love
     C.

domingo, 24 de novembro de 2013

frio lá fora e quentinho aqui dentro.




     Não sei quantos dias depois, voltei. Desculpem-me do fundo do coração, mas tenho andado aborrecida. Esta adaptação ao Inverno é sempre dura e demorada. Mas penso que estou a entrar no ritmo quanto mais não seja pelo espírito natalício que já anda por estas bandas. Pois é, o Natal está a chegar aos poucos. Já temos árvores, calendários de chocolate, maravilhas no forno e um gatinho com luzes e gorro de pai Natal. E este domingo soube mesmo bem. Assim até vale a pena ser Inverno e estar um frio dos diabos lá fora.

     Love
     C.